Uncategorized — 31 Oct

images (1)

ImagesNosso maior problema como prisioneiros de guerra“, diz Viktor Frankl no seu livro “O Significado da Vida”, “era não ter uma visão de futuro“.

Ao contrário de presos comuns, não havia para o prisioneiro de guerra uma data certa para a liberdade.

Isto gerava consequências trágicas.

Muitos prisioneiros de guerra achavam que seriam libertados antes do Natal de 1944, porque as Forças Inglesas e Americanas já haviam desembarcado na Normândia.

Mas o Natal passou e a guerra somente acabaria em Junho de 1945.


Decepcionados e desiludidos, centenas de prisioneiros morreram logo depois do Natal, sem explicação, numa frequência duas vezes o estatisticamente normal.

Simplesmente desistiram de viver por acharem que não tinham mais futuro. Erraram por alguns meses.

Nos últimos 30 anos, nossos filhos têm sido bombardeados pelos nossos intelectuais, imprensa e professores universitários que nosso país não tem futuro.

Nos inúmeros textos escritos por intelectuais para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento em vez de olharmos para um futuro a fazer, usaram a ocasião para mostrar que nem passado tínhamos.

Intelectuais nos lembraram que somos um país de corruptos por termos sido colonizados por desterrados e criminosos, mas nunca revelam que nossas Universidades Públicas contratam mais professores de Sociologia e Política do que professores de Auditoria e Fiscalização.

A USP tem um único professor de Auditoria e dezenas de professores de Filosofia e Sociologia, um que virou até Presidente do Brasil.

Perdemos a nossa Visão de Futuro em 1964, quando imperava que a visão de futuro era a do administrador, do advogado, do engenheiro, do empresário, do empreendedor.

Para estes, o futuro é para ser feito, com suor, lágrimas e trabalho, não simplesmente previsto com “modelos estatísticos”.

O futuro é nosso para ser criado da forma que desejamos, não “esperado” num Deus que o dará pela bola de cristal.

Mas a Revolução de 1964 colocou no poder mais de 600 acadêmicos especializados em previsões, que controlam o país até hoje.

O Japão e a Alemanha do pós guerra não pautaram sua reconstrução em previsões econométricas  porque sequer tinham mais uma economia para ser prevista.

Decidiram construir seu novo futuro ao ponto que suplantaram seus vencedores, a Inglaterra e os Estados Unidos, tal o poder desta postura perante o futuro.

Precisamos resgatar a visão de futuro dos engenheiros, dos carpinteiros, empreendedores, advogados e administradores e rejeitar de vez a visão niilista dos previsores do futuro, que preveem o futuro da volatilidade, do câmbio, do juro para poder especular, e das previsões de curto prazo que levam a nada.

Ficamos tão preocupados com as marolas que esquecemos de ver as ilhas do horizonte.

Administradores muitas vezes quebram a cara não conseguindo fazer o que pretendiam, nem sempre criam empresas de sucesso como gostariam.

Mas a favor dos administradores, eles têm o mérito de ter pelo menos tentado.

Tentado fazer, em vez de simplesmente tentado prever, sentados em cátedras acadêmicas com suas redomas de vidro.

Única forma de devolver aos nossos filhos um sentido para suas vidas é mostrar que existe uma outra visão de mundo, de ação construtiva e não de especulação que gerou a enorme crise de 2008.

Afinal, o futuro é para ser feito não para ser previsto.

 

 

Share

About Author

Stephen Kanitz

(8) Readers Comments

  1. Minha impressão sobre essa “inflação” de sociólogos, filósofos, advogados no Brasil, em contraposição à carência de engenheiros, administradores, e etc. pode estar num ponto:
    laboratórios práticos em universidades voltados para o ensino da engenharia, (talvez até de administradores) são bem mais caros do que os “laboratórios” para sociólogos e os quetais, pois estes, na verdade, são simplesmente a sociedade, não é?
    Ora, aula prática de filosofia ou sociologia é conhecer dificuldades sociais na rua, aula prática de advogado é a participação -ainda que como ouvinte- numa sessão de tribunal; agora, aula prática para engenheiro é sinônimo de mão na massa.
    A área da saúde fica numa posição intermediária, pois a aula prática é em hospitais e assemelhados.
    Aula prática de economia, muitas vezes pode ser apenas polir uma planilha.

  2. Wk
    Isto mesmo. Cursos que so precisam giz proliferam.

  3. Tudo no futuro é lindo e maravilhoso, mas, o Futuro começa na Educação, é sem dúvida o primeiro tijolo nesta construção.
    E o próximo Buraco de Fechadura para o Futuro do Brasil está no Projeto de Lei que destina 100% dos Royalties do Petróleo para o Plano Nacional de Educação – PNE, além da intenção do Governo de destinar 10% do PIB para este mesmo fundo.
    Acorda Brasil, o Futuro chegou!

  4. DEMOCRACIA DIRETA! UM NOVO MODELO PARA O MUNDO! O PROTÓTIPO DA ISLÂNDIA!
    ASSISTAM O VÍDEO DO MOVIMENTO QUE RECRIOU A POSSIBILIDADE DE UMA DEMOCRACIA DIRETA POR UM SISTEMA DE E-GOVERNO.
    O PATINHO FEIO E ESQUISITO QUE O MUNDO NÃO DIVULGA!
    http://youtu.be/JGwMIlpgR2A

  5. É isso ai… Islândia é um exemplo a ser seguido.

  6. Stephen, concordo com suas colocações, mas tão pior quanto aqueles que dizem que o Brasil não tem futuro são aqueles que apregoam que o Brasil é o país do futuro, mas nada fazem para mudar o presente e começar a construir este futuro.

  7. Professor Kanitz,
    Obrigado pelas mensagens de LUZ e sabedoria que tem nos brindado.

  8. Não acho que você pode comparar um país onde 99% da população é eficientemente alfabetizada com um em que 75% da população (estou chutando valores no segundo caso, porém não creio que fuja muito disso) não sabe minimamente interpretar um texto e tem dificuldades para resolver problemas simples de matemática. Nem é necessário se aprofundar nesse tema pra compreender o quanto isso é irreal.
    Nesse panorama, utilizar a opinião popular para decidir questões importantes de um país é simplesmente enfiar o país num buraco e enterrá-lo. Um exemplo clássico são os políticos eleitos. Decisão popular, grande maioria de incompetentes, ladrões, analfabetos etc.
    Não adianta aplicar soluções que não se adequem à realidade de um país. A Islândia não é nenhum patinho feio. É mais desenvolvida que grande Brasil.

Leave a Reply